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A grave epidemia de microcefalia, transmitida pelo zika vírus

O combate ao mosquito Aedes Aegypt,  transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, se torna questão de emergência nacional

O zika vírus se tornou conhecido no Brasil apenas a partir de abril de 2015. Transmitido pelo mesmo mosquito da dengue, o aedes aegypt, o zika vírus tem sintomas mais leves e passageiros do que a dengue. Agora foi identificado como causador da má formação dos cérebros de bebês, conhecida como microcefalia.

A médica paraibana Adriana Melo, especialista em medicina fetal, foi a responsável pela iniciativa de investigar mais profundamente a causa da microcefalia de suas pacientes, coletando o líquido amniótico das gestantes para envio ao Instituo Oswando Cruz, ou Fiocruz, do Rio de Janeiro. Duas pacientes grávidas foram levadas pela médica para uma bateria de exames, que confirmaram a relação entre o vírus zika e a microcefalia dos bebês. Esse fato é considerado inédito na medicina.

Segundo a médica, no ano de 2016 a situação poderá ser caótica por causa do aumento descontrolado da infestação pelo zika vírus. Além da malformação dos fetos, as consequências podem ser ainda maiores.

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O que é microcefalia

A microcefalia é a malformação do cérebro que atinge o feto e determina que o crânio seja de tamanho menor do que o normal. É um problema raro de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, a circunferência normal de um bebê deveria ser igual ou superior a 33 cm. A microcefalia existe quando a circunferência é igual ou menor do que 32 cm.

 

microcefalia

Foto: CDC-GATHANY/PHANIE/AFP

A proliferação do zika vírus, que é causada pelo mosquito Aedes aegypt, poderá ser estendida a todo o território nacional. Atualmente, apenas os mosquitos de algumas regiões estão contaminados pelo zika, mas, segundo a médica, rapidamente o vírus se estenderá a todos os mosquitos, de todas as regiões, até fevereiro ou março do próximo ano. A situação é grave e a população ainda não avalia o risco que corre.

Origem da infestação

A Dra. Adriana Melo afirma que já se conhece a origem da infestação no Brasil pelo zika vírus no Brasil. Isso ocorreu em 2014, durante a Copa do Mundo. Quando os asiáticos jogaram no Nordeste do Brasil, onde se concentraram suas equipes, grande número de torcedores asiáticos visitaram essa região. Esses visitantes trouxeram o vírus, que contaminou a grande quantidade de mosquitos que é característica do clima e da falta de saneamento básico dessas regiões.

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Aumento de casos exige apoio do exército

Na primeira semana de dezembro de 2015 o número de casos de microcefalia no Brasil passou de 1.761 para 2.165, registrando um aumento de 41%.  Pernambuco tem o maior número de casos, com um total de 874 bebês com malformação do cérebro. O Ministério da Saúde também registrou 19 mortes de crianças, em que a microcefalia pode ter sido provocada pelo zika vírus.

Os registros informam ainda que casos de microcefalia foram registrados em 13 estados e no Distrito Federal. Desde o dia 11 de novembro, o Governo Federal decretou estado de emergência diante do crescimento dos casos de microcefalia no Brasil.

Para combater o mosquito Aedes aegypt, que transmite a dengue, a febre chikungunya e o zika vírus, o Exército começou a atuar em Vitória, no Espírito Santo, ajudando a eliminar os focos do mosquito.

Agentes ambientais de saúde também trabalham distribuindo folhetos e com demonstrações práticas sobre o mosquito para concentrações de moradores de Recife, em festejos religiosos, como o de Nossa Senhora da Conceição, que ocorreu em 8 de dezembro. A pregação aos fiéis incluiu as advertências para o cuidado com relação à prevenção do mosquito.

A grave epidemia de microcefalia, transmitida pelo zika vírus

Nem todo mosquito está infectado

O mesmo transmissor ou vetor da dengue, o Aedes Aegypt, transmite o zika. O Ministério da Saúde informou que vai reforçar uma mobilização nacional para combater o mosquito. Os pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, o Fiocruz, afirmam que o ritmo de proliferação do zika vírus segue o tempo de contaminação das fêmeas, pois são elas que picam o ser humano. As fêmeas do Aedes aegypt procuram sangue para colocar os seus ovos.

Segundo esses especialistas, primeiro o mosquito pica uma pessoa infectada e o vírus fica em sua saliva. A partir desse momento ele já começa a infectar o ser humano. Depois o vírus passa para seu estômago. Esse percurso leva aproximadamente dez dias. A fêmea também passa o vírus para seus ovos e um percentual de mosquitos nasce infectado. Mas a maior parte das transmissões é feita quando o mosquito pica alguém contaminado e em seguida contamina outra pessoa.

Sintomas eram considerados de menor gravidade

A contaminação com o zika vírus era considerada algo mais brando do que a dengue e não chamava a atenção necessária. Os sintomas são de coceira e algumas manchas vermelhas e alguns casos nem existem sintomas. Quando existem, eles desaparecem em poucos dias.  A contaminação por zika vírus, que era considerada menor frente aos riscos da dengue, passou a ser a mais perigosa para a saúde pública.

Microcefalia gestante

Os riscos para a gestante

Pesquisas estão sendo feitas para descobrir como se dá a infecção do feto, mas já se sabe que o período de maior risco para as gestantes é o dos três primeiros meses de gravidez.

Depois da ocorrência dos casos de microcefalia e da comprovação da causa como sendo o zika vírus, as autoridades de saúde estão orientando as mulheres com possibilidades de engravidar e aquelas que já estão grávidas a tomar algumas medidas de proteção contra as picadas do mosquito.

É preciso evitar os lugares em que existam mosquitos e principalmente os horários em que eles atacam, que é durante a manhã e no final da tarde. São necessárias roupas que protejam as pernas e os braços, com uso constante de repelente e instalação de telas de proteção e mosquiteiros. Qualquer sintoma deve ser informado ao médico e a realização do pré-natal é essencial para qualquer medida que precise ser tomada. Durante a ocorrência da epidemia, especialmente na região nordeste, onde há o maior número de casos de microcefalia, os médicos aconselham a evitar a gravidez neste momento.

A vacina contra dengue e a prevenção à proliferação do mosquito

Contra o zika vírus ainda não existem vacinas sendo desenvolvidas, trata-se de um problema novo e muito sério. As medidas para evitar o contágio são aquelas que devem ser feitas para acabar com o mosquito, isto é, eliminar todas as formas de água parada, onde o Aedes Aegypt possa colocar seus ovos e usar repelente em áreas que possam estar infestadas.

A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou, em dezembro, o início da fase 3 da pesquisa da vacina brasileira contra a dengue. Esta é a última fase necessária para que seja feita a avaliação da qualidade, eficácia e segurança da vacina antes que seja registrada. Na fase 3, serão vacinados 17 mil voluntários, com idade entre 2 a 59 anos, durante um ano. Em outros países estão também sendo realizadas pesquisas para o desenvolvimento da vacina contra a dengue, e a que está em fase final é a do laboratório Sanofi Pasteur, que submeteu seu produto à Anvisa no mês de março de 2015. Acredita-se que os esforços para desenvolver a vacina contra a dengue possam facilitar a busca pela vacina contra o zika vírus.

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