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O aumento da expectativa de vida e a aposentadoria. Para onde foi a certeza? Mudam as regras para o acesso às aposentadorias

Apesar do Congresso Nacional ter derrubado o fator previdenciário no cálculo das aposentadorias, o governo federal editou medida provisória, em junho de 2015, segundo a qual o cálculo estará vinculado à expectativa de vida da população.

De acordo com a nova lei, o trabalhador que tiver contribuído para o INSS pode optar pela fórmula “85/95”, ou seja, 85 pontos para as mulheres e 95 pontos para os homens. Isso significa que uma mulher precisa trabalhar 30 anos e ter no mínimo 55 anos de idade e um homem precisa ter trabalhado 35 anos e ter 60 anos de idade, para que tenham direito à aposentadoria.

O novo cálculo, porém, atrasará o acesso ao benefício em um ano, a cada ano, a partir de 2017 até 2022, levando em conta o aumento da expectativa de vida.

Em 2022, a fórmula passará a ser “90/100”, portanto, uma mulher precisará trabalhar 35 anos e ter 55 anos de idade para conseguir a aposentadoria. Poderá também optar por trabalhar 30 anos e se aposentar com 60 anos de idade, o que completará o total de 90 pontos exigido.

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No caso dos homens, eles precisarão trabalhar 35 anos e ter 65 anos de idade para completarem 100 pontos. É possível também conseguir a aposentadoria com 40 anos de trabalho e 60 anos de idade, sempre levando em consideração o total de pontos obrigatório.

Nos próximos anos, essa será a idade mínima exigida:

MULHERES – anos de idade HOMENS – anos de idade
2015 55 2015 65
2016 55 2016 65
2017 56 2017 66
2018 56 2018 66
2019 57 2019 67
2020 58 2020 68
2021 59 2021 69
2022 60 2022 70

A expectativa de vida e o equilíbrio das contas públicas

O fator previdenciário foi criado em 1999 e teve como objetivo reduzir o valor do benefício de quem se aposentou antes dos 65 anos, no caso dos homens ou 60 anos, no caso das mulheres. A sobrevida do segurado, nessa época, correspondia a um valor menor do que a expectativa de vida atual.

Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, os beneficiários do INSS passaram a receber a aposentadoria por mais tempo. O planejamento do orçamento do governo estima que assim devam crescer os gastos da previdência, com um desequilíbrio entre a receita obtida pelas contribuições de quem trabalha e as despesas efetuadas com o pagamento das pensões.

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Apenas os professores escapam à regra “85/95” e somente quando atuarem no ensino infantil, fundamental e médio. A eles são atribuídos 5 pontos a mais na soma da idade com o tempo de contribuição.

Os trabalhadores que começaram a trabalhar mais cedo terão abreviado o seu tempo necessário para a aposentadoria, e cumprirão as exigências antes da idade mínima, quando completarem o cálculo “85/95” e futuramente “90/100”. 

A aposentadoria deixou de ser garantia para uma velhice tranquila

A Previdência Social do Brasil foi criada numa época em que a expectativa de vida e os desejos daqueles que se aposentavam eram outros. Hoje, não temos referências para imaginar como será o mundo para a próxima geração de aposentados.

Segundo Gustavo Cerbasi, em seu livro Adeus, Aposentadoria, futuramente a renda de uma aposentadoria, tanto no caso da pública como através de instituições privadas, não será suficiente para cobrir nossas necessidades da época. A redução da renda pode afetar até mesmo o padrão da alimentação e sem dúvida o consumo dos supérfluos, o que será um fator de depressão para aqueles que não estiverem prevenidos.

A aposentadoria deixou de ser um modelo para o futuro, como solução para sobreviver. No contexto atual, é preciso assumir um planejamento financeiro para enfrentar adequadamente o novo ambiente que temos hoje.

O aumento da expectativa de vida e a aposentadoria. Para onde foi a certeza? Mudam as regras para o acesso às aposentadorias

Nossos direitos: você também é aposentado ou aposentada?

Se você trabalhou durante toda a vida e obedeceu às regras do mercado, sabe do que estou falando. Os profissionais dedicados, que cursaram especializações e pós-graduações para se manterem qualificados, com um currículo de estabilidade em boas empresas e depois de terem posto em prática todas as recomendações para conseguirem ser respeitados pelos superiores, agora olham atônitos para a nova realidade. Onde foram parar todas as suas suadas contribuições?

Você também acompanhava o seu saldo no INSS, para verificar se os empregadores estavam respeitando a lei e o quanto estava reservando para o futuro? Se você seguiu as regras sociais e profissionais, também deve ter passado sua vida pensando que chegaria à “melhor idade” com um ganho mais do que suficiente para viver bem. Acreditávamos que chegaríamos a ter uma renda ao menos equivalente à que tivemos enquanto trabalhávamos. Ao menos o INSS havia sido pensado para garantir proteção para o último período da vida.

Os investimentos em casa própria, imóveis ou automóvel, não deveriam ser alternativas para serem desfeitas diante da necessidade cotidiana e apenas deveriam servir para imprevistos.

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