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O SUS atende venezuelanos na fronteira

Venezuelanos cruzam a fronteira em busca de alimentos, medicamentos e atendimento médico do SUS. A grande demanda cria tensão do lado brasileiro.

O atendimento à saúde nas fronteiras

A fronteira brasileira com os países vizinhos estende-se por 15,7 mil quilômetros. São 10 países da América do Sul, que estão na região fronteiriça. Aí estão 121 municípios brasileiros, com um total de 3 milhões de habitantes. São pequenas cidades, às vezes de difícil acesso, longe dos centros urbanos, onde o atendimento pelos serviços públicos se torna difícil.

Fronteira Brasil – Venezuela 

Imagem: Fronteira Brasil – Venezuela

Nas cidades brasileiras da fronteira há uma grande procura de tratamento de saúde por parte de estrangeiros. Esse fluxo sobrecarrega o atendimento do Sistema Único de Saúde – SUS. O Ministério da Saúde não contabiliza esses atendimentos extras no cálculo para o repasse de verbas ao SUS, que contabiliza apenas a população brasileira. Para integrar o atendimento de saúde nos locais de fronteira foi criado o Sistema Integrado de Saúde das Fronteiras (SIS – Fronteira).

Com a criação desse sistema, o objetivo foi por em prática acordos bilaterais e ações com os países vizinhos para colaboração na área da saúde e melhorar o atendimento à população.

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Entretanto, atualmente, diante da crise política, social e econômica enfrentada pela Venezuela, a situação que a fronteira brasileira vem enfrentando é caótica, ameaçando o atendimento à saúde pública dos próprios brasileiros e sem receber a devida contrapartida do país vizinho.

A nova situação criada pela crise econômica na Venezuela

Neste ano, um total estimado de 30.000 venezuelanos migrantes chegou a Pacaraima, no estado de Roraima, procurando por comida, trabalho e atendimento médico, em um fluxo que ameaça sobrecarregar os hospitais locais, a polícia e os serviços sociais.

Migrantes venezuelanos nas ruas de Paracaima (RO).

Imagem: Migrantes venezuelanos nas ruas de Paracaima (RO).

Nos últimos 10 meses, 1805 venezuelanos buscaram o status de refugiados no Brasil, mais do que o total somado dos últimos cinco anos. O número de deportações em 2016 está previsto para ser 10 vezes maior do que em 2015. Na grande maioria dos casos, venezuelanos entram no Brasil pela porosa fronteira da cidade de Pacaraima.

O caos na Venezuela está causando uma grande turbulência na cidade brasileira da fronteira, exigindo esforços do município para dar conta com um número crescente de moradores de rua, mendigos, prostituição, famintos e doentes.

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À primeira vista, em Paracaima, nessa pequena comunidade da Amazônia brasileira, tudo parecia andar muito bem, apesar da crise humanitária que afeta a vizinha Venezuela. O que começou a acontecer foi uma mudança que a transformou em um gigantesco mercado varejista de cereais e alimentos, vendidos com um lucro considerável, para um país que não consegue mais sustentar seus habitantes.

A nova situação criada pela crise econômica na Venezuela

Imagem: Nuevaprensa.com.ve

As boutiques de artigos femininos pararam de vender suas mercadorias para começarem a armazenar arroz e farinha. Altas pilhas de açúcar e macarrão agora estão nas lojas. Dos sete açougues existentes na cidade, quatro trocaram o comércio de carnes pelo de grãos. Caixas de óleo de cozinha estão até na recepção dos hotéis. Os fregueses dos bares convivem em meio a pacotes de alimentos. Há até mesmo salões de beleza que mudaram de ramo, para o comércio de gêneros. Por toda parte há uma verdadeira corrida para enriquecer rapidamente.

Mas essa explosão econômica começa a ter seu preço. À medida em que aumenta o desespero na Venezuela, nota-se uma agitação em toda a fronteira, com uma nova situação de tensão social, no que parece ser o inicio de uma crise do lado brasileiro, que ninguém sabe prever o quanto poderá se deteriorar.

O número de imigrantes continua a crescer descontroladamente, trazendo um desafio para as autoridades locais, que precisam lidar com o aumento da criminalidade, além do aumento extraordinário da demanda pelo atendimento da saúde.

Paracaima – de lugarejo pobre a centro de abastecimento e atendimento médico

Durante a maior parte de sua história, Paracaima foi o vizinho pobre brasileiro, da cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. As crianças brasileiras costumavam cruzar a fronteira para frequentar as escolas melhor equipadas do país que tinha sua riqueza assentada no petróleo. Os doentes brasileiros antes procuravam os hospitais venezuelanos. Centenas de trabalhadores lá conseguiam empregos mais bem pagos. As tribos indígenas atravessavam de um lado para outro, sem nunca ter reconhecido uma fronteira dentro dos seus territórios ancestrais da Amazônia.

Hoje em dia, no entanto, o que se vê é uma reversão de uma das maiores economias que a América Latina já viu. A Venezuela tem uma hiperinflação que está chegando a 2.000%, com a ausência de alimentos e remédios, além de taxas crescentes de subnutrição e homicídios.

Em comparação, o Brasil, mesmo enfrentando uma das piores recessões já vistas em décadas, parece um santuário de estabilidade, segurança e abastecimento. Os venezuelanos abastecem seus carros e caminhões com mercadorias que eles não conseguem encontrar em seu país, alguns compram para si mesmos, mas a maioria vende com lucro.

O que no início eram compras de emergência, agora viraram um negócio como qualquer outro. Os carros partem lotados com arroz, espaguete, óleo de cozinha, maionese e detergente. O dinheiro que é deixado na cidade pode ajudar a muitos, mas também cria problemas.

Fila de espera para ingressar no Brasil, na fronteira com a Venezuela. 

Imagem: Fila de espera para ingressar no Brasil, na fronteira com a Venezuela.

Nos finais de semana, de 1.000 a 1.500 venezuelanos atravessam a fronteira. Do lado brasileiro, a demanda por alimentos fez os preços subirem, em muitos casos aumentaram o dobro, como é o caso do arroz e da farinha, que passou de R$ 3,4 para R$ 7 o quilo. N. Aspirinas e vacinas são difíceis de encontrar.

Os hospitais estão lotados

A infraestrutura em Paracaima não foi construída para atender a tamanho fluxo de carros e pessoas. Os hospitais estão lotados, a demanda por tratamento médico triplicou neste ano, enquanto o sistema de saúde venezuelano, que no passado era o orgulho da administração Socialista Bolivariana, luta com a falta de medicamentos essenciais e o êxodo dos médicos.

No Hospital Délio de Oliveira Tupinambá, nos arredores de Paracaima, entre cada três pacientes, dois são agora venezuelanos. Isso está criando uma crescente procura por tratamentos para diabetes, hipertensão, tuberculose, leishmaniose, malária e HIV/Aids.

Gestantes venezuelanas na fila por atendimento médico em Paracaima.

Imagem: Gestantes venezuelanas na fila por atendimento médico em Paracaima.

A demanda está acima da capacidade do hospital, declaram anonimamente as enfermeiras. Todos os casos que o sistema venezuelano não consegue tratar são enviados para esse local. Ali chegam especialmente indígenas e pessoas que são refugiadas, apesar de não serem oficialmente classificadas como tal. Há falta, às vezes, de antissépticos e anestésicos, levando a uma delicada situação de emergência.

Os diretores do hospital pediram mais apoio e recursos do governo federal, alegando o caótico estado causado pela crise migratória, que exige o dobro da capacidade do hospital. Foram solicitados ambulância, leitos, laboratório, técnicos de radiologia, odontólogos, pediatras, enfermeiras, anestesistas e psicólogos. A resposta, no entanto, não foi conclusiva.

A guarda nacional, que está equipada para atendimento em catástrofes, já foi despachada para a área duas vezes em 2016, para levar kits de tratamento, médicos e enfermeiras, mas apenas aliviou temporariamente o problema, que parece vai continuar.

Os venezuelanos chegam procurando tratamento para todo tipo de problemas de saúde, confiando que tudo é gratuito. Malária, por exemplo, é uma queixa frequente. Depois de tratados, os pacientes voltam para casa na Venezuela e ainda levam medicamentos. Há até mesmo relatos de que esses remédios são vendidos no mercado negro, o que está motivando a decisão de ser suspensa a prática de fornecimento de medicamentos gratuitos.

 

Além disso, há gestantes que atravessam a fronteira para terem seus bebês no Brasil, justificando que os hospitais venezuelanos já não têm recursos para que elas possam ser atendidas. Assim que as crianças nascem, elas voltam para casa e com um novo passaporte. Além do atendimento, a mãe e a criança que nasceu em solo brasileiro recebem a cidadania.

Apesar das dificuldades reais dos venezuelanos, muito do que está acontecendo parece ser oportunismo e cria um sentimento de revolta e contestação entre os moradores brasileiros.

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