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O uso medicinal da maconha, sem preconceitos

A maconha já é utilizada para tratamento de saúde no Brasil. O seu uso tem efeitos benéficos comprovados em doenças como epilepsia, câncer e Alzheimer.

O uso medicina da maconha já vem sendo feito há muito tempo, no mundo inteiro. Em 2013, a revista New England Journal of Medicine publicou o resultado de uma pesquisa feita com médicos de vários países, em que 76% se declarou favorável ao emprego das substâncias puras da maconha nos tratamentos de saúde.

O cultivo da maconha no Brasil é proibido, mas o seu uso medicinal está sendo realizado através da importação do canabidiol. Essa é uma das substâncias ativas da planta que têm efeito terapêutico. A Anvisa aprovou a importação, mas o seu custo é alto.

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O outro princípio ativo, o THC, somente pode ser importado através de decisão judicial. Esses entraves somente penalizam aqueles que dependem desse tratamento, que precisam travar uma batalha para consegui-lo. Em outros países, como o Chile, até o cultivo doméstico é permitido, para o uso em pacientes sob tratamento.

O canabidiol fazia parte das substâncias proibidas no Brasil, mas em janeiro de 2015, passou a ser parte da relação de substâncias controladas. Isso permitiu a sua indicação pelos médicos brasileiros, principalmente para tratamento de doenças neurológicas graves. No entanto, ainda não há medicamento que contenha a substância sendo comercializado e por esse motivo a sua importação em doses tem um alto preço.

O uso medicinal da maconha, sem preconceitos

Pediatras relatam melhora significativa de crianças epilépticas com o suo do canabidiol. Comparados com a experiência chilena, os excelentes resultados têm se repetido, mostrando que 70% a 80% dos pacientes tem uma redução de 50% das crises. Em 20% dos casos há remissão total dos sintomas.

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Como é de se esperar nesses casos, são as mães as mais atuantes para conseguir a liberação da maconha medicinal. São as mães que vivem o dia-a-dia difícil com os filhos doentes e são as mais responsabilizadas pela sua saúde por parte da sociedade. Com os filhos sofrendo com epilepsia ou paralisia cerebral, as mães chilenas estão participando de associações e passaram a plantar a maconha no próprio quintal. As mulheres estão fazendo o remédio para seus filhos, de um modo caseiro.

O medicamento produzido artesanalmente, de maneira doméstica, muitas vezes provém de uma única planta. Ela produz uma resina, que é colhida e guardada em seringas, para aproximadamente 60 doses. Cada dose é misturada com mel e administrada à criança três vezes ao dia. Esse tratamento é barato e melhora a vida do paciente e de toda a família. Um dos principais efeitos é possibilitar o sono tranquilo, um benefício para todos, em casas onde não se dormia direito há anos.

O uso medicinal da maconha, cujos efeitos benéficos têm sido observados, principalmente no caso do Chile, é uma questão que afeta a saúde pública. Crianças com convulsão passam por muito sofrimento e levam os pais a grandes dificuldades, quando a planta poderia estar sendo muito útil se não fosse considerada uma droga proibida.

As evidências científicas dos benefícios

As evidências científicas dos benefícios

Uma das mais importantes iniciativas para a aprovação do uso medicinal da Cannabis sativa, ou maconha, como é conhecida no Brasil, foi realizada pelo Departamento Americano das Políticas de Controle Nacional de Drogas (Office of National Drug Control Policy), que patrocinou o estudo feito pelo Dr. Stanley J. Watson, Dr. John A. Benson e Dra. Janet E. Joy, do Institute of Medicine.

O trabalho teve como objetivo a avaliação das evidências científicas obtidas em pesquisas, para demonstrar os benefícios e riscos do uso medicinal da maconha. Os resultados foram validados por especialistas e publicados na revista Archives of General Psychiatry, de junho de 2000.

A pesquisa fez uma revisão sobre os mecanismos dos efeitos e ação das substâncias, sua eficácia, bem como analisou seus efeitos colaterais, comparados com os de outras drogas já utilizadas. Aqui vão algumas de suas conclusões.

Porque a maconha age no cérebro

Nos últimos anos a ciência vem atualizando os conhecimentos que possuía sobre os mecanismos de funcionamento da maconha. Agora se conhecem dois tipos de receptores nos cérebro humano e no sistema imunológico, com o nome de CB1 e CB2, que se ligam aos componentes químicos da maconha e a partir dessa combinação acontece a sua ação nas células.

Esses receptores, que todos nós possuímos e estão concentrados no sistema límbico, no córtex cerebral, no hipocampo e no sistema motor, são os responsáveis pelos sintomas desencadeados pela maconha, ou seja, as alterações do estado mental, da coordenação motora e as mudanças de humor. Ainda não se conhece profundamente seus efeitos sobre o sistema imune.

A maconha e a melhora da dor

A maconha e a melhora da dor

As pesquisas demonstraram que a maconha produz um efeito analgésico. Entretanto, ainda é preciso realizar estudos mais aprofundados para se conhecer a dimensão desse efeito e sua duração, em diversos estados clínicos. Os pacientes que podem ser muito beneficiados pela droga são os que sofreram lesão da coluna vertebral, no pós-operatório, os que fazem quimioterapia, pacientes com AIDS, que sofreram infarto ou qualquer outra dor crônica significativa.

A maconha para tratamento de náuseas e vômitos

Pacientes que fazem quimioterapia pra tratamento do câncer sofrem com náuseas e vômitos. Os médicos oncologistas e esses pacientes estão defendendo o uso da maconha, mas especificamente o THC, ou canabidiol, seu principal componente estudado. Seus efeitos foram observados e com menos efeitos colaterais do que as drogas já existentes. A substância pode também ser usada em uso associado com outras drogas, em casos resistentes.

A maconha no tratamento da esquizofrenia

No Brasil, um estudo realizado em 2005, pela Universidade de São Paulo e publicada em 2006 na revista Brazilian Journal of Medical and Biological Research (vol.39, n.4), demonstrou que o canabidiol tem função antipsicótica. O trabalho deve servir de fundamento para a criação de um novo medicamento para o tratamento da esquizofrenia. Um novo antipsicótico a partir do canabidiol terá menos efeitos colaterais do que as drogas atualmente disponíveis.

Maconha e estímulo do apetite em disfunções alimentares

Os estudos estão demonstrando que a maconha tem efeitos importantes no tratamento de pacientes desnutridos e com perda do apetite, no caso de AIDS ou câncer. Outros medicamentos também induzem o aumento do apetite. No entanto, os estudos ainda serão aprofundados para avaliar a ação da maconha nestes casos.

Maconha e espasmo muscular

A maconha tem efeito sobre o movimento e como consequência melhora o controle dos espasmos musculares, que são característicos da esclerose múltipla. O efeito também pode ser atribuído ao controle da ansiedade, porque ela aumenta os espasmos. Nesse caso, a maconha age mais sobre a ansiedade propriamente dita. Mas estudos devem ser realizados para melhor compreensão desse efeito da maconha.

Maconha e espasmo muscular

Maconha no tratamento de movimentos desordenados

Até o momento os estudos demonstraram que o uso da maconha tem efeito sobre os movimentos e contribui para o tratamento de desordens motoras da doença de Parkinson. Ainda precisam ser feitos novos estudos para ser determinada a dosagem exata da droga que seja a mais eficiente para esse problema.

Maconha e o Glaucoma

Uma das indicações mais citadas para o uso da maconha é o glaucoma, pois ela age sobre a pressão intra-ocular. Entretanto, o seu efeito é de curta duração e para ser conseguido é preciso a administração de uma alta dose da droga, o que provoca efeitos colaterais. As medicações tradicionais têm menos desses efeitos e também são eficientes.

Sobre possíveis efeitos adversos

Os efeitos adversos estudados se referem ao hábito de fumar maconha. Os estudos demonstraram que o fumo prolongado da maconha altera as células do sistema respiratório e pode aumentar a incidência de câncer de pulmão. O THC, utilizado por muito tempo, leva a dependência de seus efeitos e a interrupção do uso leva à síndrome de abstinência, caracterizada por insônia, náusea, agitação, irritabilidade e cãibras.

As pesquisas realizadas sobre o uso medicinal da maconha não provaram nenhuma relação entre esse uso e o estímulo ao uso ilícito da droga. Os efeitos terapêuticos estão associados às suas substâncias puras e não ao efeito do seu fumo.

Contraindicações

A maconha não é indicada para grávidas, pacientes com problemas cardiovasculares, mulheres que amamentam e doenças psiquiátricas.

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