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As enormes filas para cirurgia eletiva no país

Em dezembro de 2017, levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina informou a existência de 904 mil pessoas na fila para se submeterem a uma cirurgia eletiva pelo SUS.

Cirurgias eletivas são aquelas que não devem ser realizadas de emergência. Entretanto, a cada mês que passa, o quadro clínico dos pacientes se agrava. Só que uma grande parte desses doentes está na fila há mais de 10 anos.

As enormes filas para cirurgia eletiva no país

Imagem: NBN Brasil

Esse dado foi obtido pelo Conselho Federal de Medicina – CFM através de pesquisa possibilitada pela Lei de Acesso à Informação, em Secretarias da Saúde de 16 estados e de 10 principais cidades. Logicamente, o número de pacientes é bem maior, se forem considerados os demais estados do país.

O que a pesquisa também demonstra é que há uma contradição entre esses dados e os fornecidos pelo Ministério da Saúde, em que os números são menores. Somente em julho de 2017, o Ministério publicou uma lista única de pessoas que aguardam cirurgia nos Estados e municípios, o que não era antes realizado. O número oficial divulgado foi de 804 pacientes que aguardavam cirurgia, o que foi depois reduzido para 667, com a alegação de que havia duplicidade de nomes na primeira lista.

Imagem: Jornal Expresso

Segundo o presidente do CFM, os números estão inferiores à realidade, porque há Estados que não tem essa conta atualizada ou organizada, além dos pacientes que ainda não tiveram acesso ao especialista que poderá dar encaminhamento ao seu caso.

Doenças crônicas podem se tornar agudas

Com a demora, o estado de saúde do paciente pode se agravar, com a piora do seu prognóstico, podendo levar à necessidade de uma cirurgia de emergência. Dessa forma, o sistema tem seus custos aumentados. Além disso, uma cirurgia de emergência pode encontrar o paciente em um estado mais debilitado do que no início da doença. São pelo menos 750 os que esperam na fila há mais de 10 anos. No estado de São Paulo, são 143 mil pacientes na fila da cirurgia eletiva.

Um dos motivos da lentidão no atendimento é a defasagem na tabela de valores que o Ministério da Saúde instituiu para os procedimentos, congelada há anos, e que não atende aos gastos reais, segundo informou a Secretaria da Saúde de São Paulo. Segundo o órgão os procedimentos aumentaram 21% nos últimos sete anos.

As enormes filas para cirurgia eletiva no país

Imagem: BrasCRS

Cirurgias com maior demanda

Os procedimentos que concentram quase 50% dos casos que aguardam na fila são:

  1. catarata – 113.185
  2. correção de hérnia – 95.752
  3. retirada da vesícula – 90.275
  4. varizes – 77.854
  5. amígdalas ou adenoide – 37.776

De acordo com os dados analisados, quase 50% dos procedimentos aguardados no Brasil se concentram em cinco categorias, a remoção da catarata, a correção de hérnias, a retirada da vesícula, correção de varizes e remoção de amígdalas ou adenoide.

Somente no estado de Minas Gerais, são 31 mil pacientes aguardando pela cirurgia das varizes. A cirurgia da catarata é a mais aguardada em São Paul (24 mil pacientes) e Goiás (15 mil pacientes).

Os números, mesmo que parciais, impressionam, porque não eram conhecidos e estão mais próximos da realidade atual.

Segundo o Conselho Federal de Medicina, em 2017, foram realizadas 1.652.260 cirurgias eletivas pelo SUS.

O levantamento das cirurgias que aguardam nos estados refere-se a Alagoas, Goiás, Ceará, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Pará, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Rondônia, Tocantins e São Paulo. O Rio de Janeiro não está incluído. O estado da Bahia enviou informações somente de 2017 e Rio Grande do Norte enviou dados somente da fila para cirurgia ortopédica.

As prefeituras que enviaram informações foram: Belo Horizonte, Aracajú, Campo Grande, João Pessoa, Fortaleza, Recife, Porto Alegre e São Paulo. Boa Vista (RR) apresentou a lista de cirurgia de apenas uma unidade hospitalar e Palmas apresentou a fila das cirurgias oftalmológicas.

Fragilidade na gestão do SUS

Os números que foram obtidos através da pesquisa realizada pelo CFM revela a fragilidade sistêmica na gestão do SUS, com resultados perversos para pacientes e suas famílias, em todo o país. Os procedimentos não são de emergência, mas os pacientes atravessam longa espera com sofrimento e em muitos casos o tempo é determinante para o sucesso do procedimento.

Invariavelmente, as dificuldades de acesso às cirurgias são provocadas pela falta de equipamentos, médicos especialistas, leitos, material cirúrgico e medicamentos.

Cirurgia na próstata tem mais de 8 mil pedidos

Um exemplo que pode ser mencionado e que demonstra o sofrimento dos pacientes que aguardam na fila é o caso da fila dos homens que precisam de uma cirurgia da próstata, porque sofrem de hiperplasia prostática benigna (HPB), ou seja, um aumento benigno, sem células cancerígenas, da próstata, responsável pela obstrução da uretra, impedindo o ato de urinar e levando a infecções.

As enormes filas para cirurgia eletiva no país

Imagem: Miviejomaletin

A HPB tem incidência de 90% entre homens com 85 anos, de acordo com a Associação Americana de Urologia, incluindo os casos que ainda não apresentam sintomas ou complicações no tratamento. O agravamento da doença pode levar a problemas de saúde mais graves, como o comprometimento dos rins, segundo o Departamento de HPB da Sociedade Brasileira de Urologia. Existe ainda uma subnotificação dos casos, que não demonstram o que realmente acontece em todas as unidades de saúde, onde há grande dificuldade em conseguir o tratamento em um prazo razoável.

Fila para a cirurgia da próstata

Segundo os dados do CFM, estão esperando a cirurgia da próstata pelo menos 8.200 pacientes, sendo 7.465 nos Estados e 733 nas capitais. O procedimento é chamado de ressecção endoscópica da próstata, que é um tratamento cirúrgico para a hiperplasia. Esses números se referem às solicitações de cirurgias.

Antes que o paciente seja encaminhado para o procedimento cirúrgico, são feitos tratamentos iniciais, que incluem regulação na ingestão de líquidos, tratamento com medicamentos e modificações comportamentais. Com o agravamento da doença, o paciente sofre limitações que afetam o seu bem-estar físico, social e mental. Se houver, nos casos mais graves, um enrijecimento da bexiga, o quadro pode levar à insuficiência renal.

O que diz o Ministério da Saúde

A pasta afirmou em nota que a gestão das filas de espera é de responsabilidade das secretarias estaduais e municipais de saúde. Informou ainda que em 2016 foram realizadas 11.929 destas operações pelo SUS. Em 2017, de janeiro a setembro, foram realizados 8.984 procedimentos para o tratamento da hiperplasia da próstata.

Segundo afirma o Ministério da Saúde, o objetivo, com a formação da fila única, é informar aos pacientes, através de aplicativo, a sua posição na lista de espera, mas isso esbarra na dificuldade de informações encontrada até agora. Além disso, as verbas extras liberadas para os Estados para investimento em cirurgias eletivas vêm sendo usadas em mutirões, que ajudam a reduzir as filas, mas não resolvem o problema, que está na necessidade de investimentos na ampliação dos serviços de saúde e melhor distribuição dos médicos especialistas.

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