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O polêmico uso da cloroquina no tratamento da Covid-19

O uso da cloroquina para tratar pacientes com Covid-19 tem sido limitado. O medicamento divide especialistas, pela falta de estudos definitivos, mas passou a ser administrado para pacientes em estado grave.

A cloroquina e a hidroxicloroquina estavam liberadas para o tratamento de pacientes com malária e doenças reumáticas. Nas últimas semanas surgiu a polêmica indicação para o tratamento da pandemia da Covid-19. Há registro de que os dois medicamentos foram utilizados com antivirais em cerca de 100 pacientes chineses e em 42 franceses, com bons resultados. Os outros experimentos foram realizados in vitro, mas usando células animais.

O polêmico uso da cloroquina no tratamento da Covid-19

Imagem: Getty Images

Boa parte da comunidade científica aponta o problema de que os dados obtidos não são suficientes sobre a eficácia das drogas e que os efeitos colaterais possíveis são muito graves, como prejuízo da visão, surdez, insuficiência hepática e distúrbios cardiovasculares.

O estudo realizado pelo Dr. Raoult, em Marselha

O infectologista francês Didier Raoult, diretor do Instituto Hospital Universitário Mèditerranée Infection (IHU), em Marselha conduziu o bem sucedido estudo com cloroquina e hidroxicloroquina com 26 pacientes com Covid-19, que entusiasmou o presidente Donald Trump. O renomado, premiado e polêmico cientista, que vem sendo chamado de charlatão por colegas franceses, publicou seu estudo inicial, mostrando que, combinada ao antibiótico de amplo espectro azitromicina, a hidroxicloroquina curou 75% dos 26 pacientes tratados por sua equipe.

O Dr. Raoult tornou-se um grande defensor do uso do medicamento na Covid-19. Segundo ele, a hidroxicloroquina não é eficaz em estágios mais avançados da doença, de forma diferente da orientação que vem sendo adotada pelos governos brasileiro e francês, que autorizaram a droga para pacientes graves. O infectologista afirma que a droga deve ser administrada no início da infecção

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Imagem: Getty Images

O trabalho do Dr. Raoult levantou críticas pelo fato de que envolvia um baixo número de participantes. Também foi questionada sua metodologia. Uma revisão do estudo feita por pesquisadores britânicos e irlandeses apontou que na pesquisa os pacientes não foram randomizados, isto é, divididos em grupos, para fins de comparação, o que é considerada uma falha grave. Também é questionado o fato de que um dos pacientes morreu e cinco abandonaram o estudo antes do término. Uma outra dúvida levantada é que a maior parte dos recuperados era jovens e tinha boa saúde.

Uso da cloroquina na fase inicial da Covid-19

Medicação já é autorizada no Brasil para pacientes com casos graves da Covid-19. A cloroquina faz parte de protocolo de pesquisa científica e foi aprovada pelo Ministério da Saúde para o tratamento de coronavírus. No entanto, havia sido indicada apenas para pacientes hospitalizados e em casos graves.

A cloroquina ou hidroxicloroquina é um remédio usado para o tratamento da malária desde a década de 1930. Ela também foi usada no tratamento de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. O uso incorreto pode causar insuficiência cardíaca, comportamento suicida e até cegueira.

Entretanto, há agora médicos defendem cloroquina no início de tratamento de idosos.

Aplicação da medicação em pacientes idosos, segundo eles, logo no início dos sintomas seria mais eficaz do que quando usado depois que o caso se torna grave. Essa posição foi defendida pelos médicos Paolo Zanotto, virologista da USP (Universidade de São Paulo), e Pedro Batista Júnior, diretor-geral da Prevent Sênior, indicada principalmente para idosos em fase inicial de tratamento.

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De acordo com o diretor do plano de saúde Prevent Senior, plano de saúde que administra hospitais que têm tratado idosos com a Covid-19, o melhor resultado é na fase inicial da doença. Alguns pacientes que morreram tomaram hidroxicloroquina numa fase avançada do processo. Segundo ele, o início da dose de medicação para um paciente é fundamental para o sucesso do tratamento. Assim, a aplicação da medicação em pacientes idosos logo no início da doença seria mais eficaz do que seu uso quando o caso se torna grave, porque o pulmão já está comprometido pelo processo infeccioso.

Utilização da cloroquina foi ampliada

No dia 3 de abril, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mesmo antes de estudos conclusivos resolveu recomendar a ampliação do uso de cloroquina em pacientes diagnosticados com o novo coronavírus que se encontrem em um quadro grave da doença. Antes a permissão era apenas para aqueles com quadro considerado crítico, que estivessem internados em CTIs (Centros de Tratamento Intensivo).

A recomendação foi ampliada depois da equipe do Ministério da Saúde ter acesso a um estudo preliminar sobre os efeitos da cloroquina em pacientes com Covid-19, que foi encaminhado para publicação na revista New England Journal of Medicine. Entretanto, o ministro Mandetta continua a afirmar que o medicamento não pode ser indicado aleatoriamente e que seu uso em pacientes com quadro crítico e internados com Covid-19 ocorrerá de forma experimental, porque existem riscos, como arritmia, o que exige acompanhamento médico.

O Ministro da Saúde informou que os pacientes são divididos entre formas leves, graves e críticas de Covid-19. A cloroquina estava sendo adotada para os casos críticos. Agora o medicamento vai ser adotado também para os casos graves, que são aqueles que vão para o hospital, mas ainda não necessitando de CTI. Essa medida foi colocada em prática mesmo com evidências frágeis sobre a eficácia da droga.

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Indicação sem confirmação de diagnóstico

A imprensa noticiou que a rede de assistência médica do plano de saúde Prevent Senior estaria receitando a cloroquina para pacientes que não estão internados com coronavírus, contrariando a recomendação do Ministério da Saúde. De acordo com funcionário da rede que foi ouvido, os médicos foram orientados a prescrever cloroquina para qualquer paciente com mais de 70 anos que estivesse com sintomas de febre e problemas respiratórios, mesmo sem ter testado o coronavírus. A orientação teria sido dada até por atendimento de telemedicina.

A imprensa confirmou a informação quando teve acesso ao protocolo institucional enviado a todos os profissionais de saúde da rede. A Prevent Senior nega o problema e confirma que a prescrição está correta.

Em nota, a Prevent Senior comunicou que a medicação é ministrada a pacientes cujos sintomas e exames apontem a suspeita de contaminação por coronavírus, sem que se possa esperar pelos resultados dos exames virais, que têm demorado, em média, de 10 a 15 dias para ficarem disponíveis.

A Prevent Senior também informou que aconteceram mais de 70 altas de pacientes, que se recuperaram após o uso da cloroquina e hidroxicloroquina. Segundo a operadora os médicos da Prevent oferecem o tratamento porque têm o dever ético de prescrever o medicamento que consideram mais eficaz, apesar do paciente não ser obrigado a aderir ao tratamento.

Regina Di Ciommo

Mestre e Doutora em Sociologia pela UNESP, pesquisadora na área de Ecologia Humana e Antropologia, Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental, foi professora em cursos superiores de Sociologia e Direito, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

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