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Crianças são as maiores vítimas do uso de agrotóxicos

Levantamentos recentes mostram, de forma chocante, que as crianças são as maiores vítimas do uso de agrotóxicos ou defensivos agrícolas no Brasil.

Vítimas dos agrotóxicos são 25% de crianças e adolescentes

De acordo com o Atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, 25% das vítimas de intoxicação por agrotóxicos é de crianças e adolescentes. A professora e pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Larissa Mies Bombardi, uma das responsáveis pelo estudo, que foi publicado em junho deste ano, afirma que os dados são chocantes.

Crianças são as maiores vítimas do uso de agrotóxicos

Imagem: Uagro

A análise da pesquisa verificou os resultados por faixa etária e concluiu que é justamente a população protegida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de zero a quatorze anos a que tem a saúde mais afetada pelos efeitos nocivos dos agrotóxicos.

Nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso, os dados são assustadores, mostrando que 30% de vítimas de intoxicação por defensivos agrícolas têm entre 0 e 4 anos. As crianças de 10 a 14 anos estão em segundo lugar. Nessa faixa de idade, de forma impressionante, o maior motivo para a intoxicação é o uso dos venenos agrícolas para tentativas de suicídio.

Crianças são as maiores vítimas do uso de agrotóxicos

Imagem: diariodocentrodomundo

Entre 2007 e 2014 o número de intoxicações relacionadas a agrotóxicos que foram registradas foi de 25 mil, mas esse número pode ser muito maior porque nem todas as ocorrências são notificadas. Os índices do Brasil são de que 20% dos casos, ou 2.181 crianças, estão na faixa etária de 0 e 14 anos.

Mas a situação é muito mais grave em Minas Gerais e Mato Grosso, onde trinta por cento das vítimas são de crianças pequenas, até quatro anos de idade, ou seja, na primeira infância. O que as estatísticas estão mostrando é que as crianças e os adolescentes são as principais vítimas dos agrotóxicos no Brasil.

Crianças são as maiores vítimas do uso de agrotóxicos

Imagem: mikamienvironmentalblog

Agrotóxicos são causa e instrumento para o suicídio infantil

A professora Larissa Bombardi comenta sobre os dados assustadores referentes ao suicídio das crianças, na faixa dos 10 aos 14 anos. No período estudado, foram mais de 300 crianças dessa idade que tentaram se matar com agrotóxicos. Mais importante ainda é a informação de que a exposição aos agrotóxicos é a própria causa da depressão que leva ao suicídio. Isto porque está provado que certos componentes dos agrotóxicos, principalmente os organofosforados, atingem o sistema nervoso central, provocando depressão profunda, a ponto de um indivíduo querer se suicidar. Portanto, antes do suicídio ou tentativa de suicídio, já houve uma exposição frequente a esses produtos. No auge desse estado depressivo, a criança ou adolescente lança mão do próprio agrotóxico como instrumento para se matar, através da ingestão.

No período de 2007 a 2014, a professora Larissa explica que 343 bebês foram intoxicados. Para entender como isso ocorre, é preciso saber que os país são trabalhadores na agricultura e são os que ficam diretamente expostos aos produtos. A família ingere os alimentos com resíduos tóxicos. As casas das famílias ficam próximas a locais que recebem pulverizações aéreas e não é raro o caso da mãe que leva o bebê para perto do local de trabalho, por falta de alternativas de cuidado, como creches em ambientes rurais, que são raras.

Por que as crianças são mais afetadas pelo alimento contaminado?

No Brasil, o limite de glifosato permitido para aplicação na soja é duzentas vezes maior do que o limite aceito na União Europeia. O glifosato é um elemento comprovadamente cancerígeno. A soja pulverizada com esse tipo de agrotóxico é utilizada em muitos alimentos industrializados que consumimos.

No feijão, o inseticida utilizado no Brasil é o malationa, em doses quatrocentas vezes maiores do que o permitido na União Europeia. O feijão é o alimento tradicional da população brasileira, consumido largamente pelas famílias. O efeito da malationa no organismo depende do peso corpóreo. Existe um limite máximo que uma pessoa adulta pode consumir, mas se uma criança que pesa dez quilos ingerir 125grs de feijão e 125grs de arroz, em um dia, ela terá superado em 12% o limite máximo que seu corpo pode tolerar. Esse é o motivo da intoxicação de tantas crianças, elas são mais vulneráveis aos venenos, em função do seu peso.

Crianças são as maiores vítimas do uso de agrotóxicos

Imagem: ihu.unisinos

Áreas agrícolas e câncer em crianças

Estudo da Universidade Federal do Ceará mostrou que entre 2000 e 2012, o número de mortes por câncer entre crianças e adolescentes aumentou no Ceará, nas regiões de Camocim, Baixo Jaguaribe e Cariri. A concentração de casos de câncer é maior nas microrregiões de Ibiapaba, Sobral, Meruoca, Fortaleza e Cariri. No estado do Ceará foi notificado no período o impressionante número de 3.274 casos de câncer em menores de 19 anos. Foram 2080 óbitos, o que significa a razão de 48 mortes por 100 mil habitantes, a maioria das vítimas com idade entre 15 e 19 anos.

Crianças são as maiores vítimas do uso de agrotóxicos

Imagem: cebi.org

Do total de casos notificados, 4,2% não tinha completado um ano de vida quando adoeceram, 23,2% eram crianças pequenas, entre 1 e 4 anos, 22,5% eram crianças entre 5 a 9 anos, 23,7% tinha entre 10 a 14 anos e 26,3% tinham idade entre 15 a 19 anos. Na maioria dos casos, as vítimas estavam expostas aos agrotóxicos, de diversas formas, como por inalação, ingestão ou absorção pela pele.

Os pontos onde o câncer é mais incidente correspondem às localidades que concentram os polos de irrigação, ou perímetros irrigados, onde a produção agrícola faz uso intenso de agrotóxicos. Portanto, os casos estão relacionados a essa contaminação, segundo pesquisa de Isadora Marques Barbosa, em sua dissertação em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Crianças são as maiores vítimas do uso de agrotóxicos

Imagem: noticias.uol

As pulverizações – o veneno que vem do céu

Pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso encontraram resultados semelhantes aos do Ceará. Suas pesquisas demonstram que a exposição da população do Mato Grosso aos agrotóxicos desde o nascimento é a provável causa do surgimento de câncer e mortes por essa doença entre crianças e jovens menores de 20 anos.

Os perímetros irrigados onde se localiza o agronegócio oferecem grande ameaça à saúde pública. A pesquisadora Raquel Rigotto identificou em suas pesquisas os componentes ativos dos agrotóxicos no solo irrigado, tanto no Ceará quanto no Rio Grande do Norte. São substâncias altamente tóxicas, como difenoconazol e epoxiconazol, que comprometem o fígado.

Crianças são as maiores vítimas do uso de agrotóxicos

http: agenciadanoticia

Esses componentes, classificados pelas agências ligadas à Organização Mundial da Saúde (OMS) como possível causa de câncer, foram pulverizados por aviões, não apenas em culturas, mas também sobre hortas, casas, granjas, escolas e igrejas. Depois de 15 anos sendo utilizados pelo agronegócio, esses venenos chegaram às cisternas, que são os depósitos de água que abastecem as casas no período de seca. A utilização dessa água contaminada pelas famílias leva a graves doenças. O lençol aquífero também acaba por ser contaminado, no período das chuvas.

Essas constatações levam a que especialistas, ambientalistas e movimentos sociais condenem severamente a utilização abusiva de agrotóxicos no Brasil, principalmente as pulverizações aéreas em perímetros urbanos habitados. Mas, mesmo que as pulverizações desse tipo sejam suspensas, ainda todos nós e principalmente nossas crianças estamos sujeitos à intoxicações e doenças derivadas da contaminação por agrotóxicos, que permanecem nos nossos alimentos e na água que bebemos, mesmo que para aqueles que moram longe das áreas agrícolas.

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