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Novos testes rápidos para Zika vírus nos planos de saúde

Os desdobramentos e pesquisas com o Zika vírus mostram que a situação é alarmante. Novos testes fazem diagnóstico rapidamente. 

Os testes rápidos de Zika autorizados pela Anvisa

Desde fevereiro de 2016 foi registrado pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária um teste rápido para identificação do Zika vírus produzido pela Fiocruz. O produto é adequado para a triagem instantânea de possíveis pacientes contaminados.

 

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O ex-ministro da Saúde Marcelo Castro havia prometido que o teste rápido estaria disponível no final de fevereiro. Estavam sendo esperados 50 mil kits do teste produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) do Rio de Janeiro. Seria o primeiro lote de um total de 500 mil kits de testes, para serem distribuídos na rede pública de saúde.

O teste rápido desenvolvido pelo Instituto Bio-Manguinhos, em parceria com a Fiocruz é um teste mais barato do que os que estão sendo atualmente utilizados e apresenta resultado muito mais rápido. Com a adoção do novo teste é possível dar mais agilidade ao diagnóstico de pacientes com suspeita das três doenças.

O teste rápido canadense

Um outro teste aprovado para diagnóstico de zika pela Anvisa é fabricado pela empresa Biocan Diagnostics INC., do Canadá. O fabricante informa que o resultado do teste pode ser conhecido após 15 a 20 minutos da aplicação. Ele é capaz de identificar se o paciente teve Zika mesmo depois do tempo de eliminação do vírus.

O mecanismo do teste é detectar anticorpos IgG, que permanecem nas amostras de sangue após a infecção, e anticorpos IgM, que são identificados na fase aguda da doença. O produto usa como suporte uma membrana de nitrocelulose, na qual os anticorpos são capturados e, através de uma reação visível em cor vermelha, são revelados.

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Atraso num momento de emergência

O teste rápido que permite detectar zika, dengue e chikungunya, doenças transmitidas pelo mosquido Aedes aegypti deveria estar sendo distribuído nos hospitais públicos e postos de saúde desde março deste ano.

Atraso num momento de emergência

O que acontece é que o novo teste, que ganhou o apelido de “três em um” é que até o final de maio isso não aconteceu. Órgãos públicos como a Fiocruz, a Anvisa e o Ministério da Saúde não se entendem quanto aos trâmites burocráticos necessários para liberar o teste e o que se assiste é uma briga dentro do governo em um momento emergencial para a saúde pública. Além disso, há um grande volume de procura e falta de agilidade no atendimento.

Atualmente, os testes existentes para o diagnóstico estão disponíveis nas clínicas particulares e são muito caros para serem utilizados pela população. Por utilizarem reagentes importados, custam entre R$ 800 e R$ 2.000. O kit produzido pela Fiocruz tem o custo de R$ 80.

O teste rápido da Unicamp

Um outro teste rápido para a identificação da zika foi desenvolvido pela força-tarefa de cientistas da USP (Universidade de São Paulo) e UNESP (Universidade Estadual Paulista). Esse teste, cujo resultado sai em apenas 5 horas, será produzido pelos laboratórios da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas e tem eficácia de 100%.

O teste está inicialmente disponível para os pacientes do Hospital das Clínicas de Campinas e os hospitais públicos municipais. Posteriormente serão atendidas cidades da região, como Sumaré, Hortolândia, Americana e Piracicaba.
A ANS e a agência Proteste distribuíram avisos aos usuários dos planos de saúde quanto à obrigatoriedade das operadoras de cobrirem os testes rápidos para diagnóstico de dengue, que custam em média R$ 250,00. A cobertura do teste-rápido para dengue e chikungunya já é obrigatória, segundo a ANS.

Desde 2000, os planos de saúde devem cobrir os exames como hemograma, contagem de plaquetas, dosagem de albumina sérica e transaminases, que são necessários para auxiliar o diagnóstico. Se algum procedimento do rol for negado, o consumidor deve entrar em contato com os canais de atendimento: Disque ANS (0800 701 9656), no portal da ANS ou pessoalmente. A multa, caso a operadora resista, é de R$ 80 mil.

A inclusão dos testes rápidos para diagnóstico de zika nos planos de saúde

O rol de procedimentos obrigatórios, segundo a ANS, foi revisto para a inclusão das medidas necessárias para o enfrentamento da epidemia de zika. A inclusão atende a critérios fundamentados pela literatura científica e também pela existência dos dados epidemiológicos. A iniciativa da Anvisa considera que a incorporação de testes laboratoriais para o diagnóstico de Zika atende às necessidades de emergência em saúde pública, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar determinou a inclusão dos exames para detecção do zika vírus no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde no final de maio de 2016. Essa é a lista dos procedimentos que têm cobertura obrigatória nos planos de saúde, para serem oferecidos aos usuários.

Foram incluídos o exame PCR (Polymerase Chain Reaction), sensível para o vírus apenas nos primeiros dias da doença, o teste sorológico IgM, que percebe os anticorpos para o zika na corrente sanguínea, o teste de IgG, que demonstra se o paciente já teve zika em algum momento da vida pregressa.

A partir de agora os exames serão garantidos para gestantes, bebês nascidos de mães que tiveram diagnóstico de infecção por zika e os recém-nascidos com malformação que sugerem infecção por zika, que são considerados pacientes prioritários para o diagnóstico de zika, que comprovadamente afeta o cérebro e o sistema neurológico das crianças, no que é conhecido como microcefalia.

Percebe-se que o teste não é garantia de tratamento ou cura da microcefalia, apenas comprova a presença do vírus para medidas paliativas e de prevenção.

A proposta da Anvisa foi elaborada em parceria com representantes dos órgãos de defesa do consumidor e da Associação Médica Brasileira (AMB). O prazo dado pela ANS às operadoras de planos de saúde para se organizar o atendimento em laboratórios que ofereçam os exames é de 30 dias, a partir do dia 6 de junho, quando a medida foi publicada no Diário Oficial da União.

O que acontece se o teste demonstrar o vírus zika em um gestante?

O que acontece se o teste demonstrar o vírus zika em um gestante?

Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos de microcefalia registrados no Brasil são decorrentes da infecção pelo vírus da zika. A situação é grave, pois o número de bebês com diagnóstico confirmado até março de 2016 era de 745, sendo que existiam ainda 4.231 casos notificados em investigação.

Se for confirmada a presença do zika vírus através de testes laboratoriais em uma gestante, há a probabilidade de que seu bebe nasça com algum tipo de má-formação.

Se posteriormente a microcefalia for confirmada através de ultrassom, o que os médicos devem fazer são exames complementares, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, para identificar possíveis hemorragias ou alterações inflamatórias. A microcefalia não significa apenas diminuição do tamanho do cérebro, mas malformações que atingem o sistema neurológico, provocando deficiências neurológicas, motoras e cognitivas. A maioria dos casos apresenta retardo mental e problemas de visão e audição.

É importante que fique claro que a microcefalia não tem cura, uma vez identificada não há como revertê-la. As gestantes não podem deixar de se prevenir do contágio, que é feito através do mosquito Aedes aegypti, acreditando que o teste pode ser de alguma forma eficiente para livrar os bebês da microcefalia.

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