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Pandemia no Brasil: é hora de reabrir a economia?

No ritmo de mais de 1.000 mortes a cada dia, as projeções são de que o Brasil chegará a 120 mil mortes em agosto, superando o total registrado nos Estados Unidos.

Até o dia 5 de junho, 35.026 pessoas haviam morrido no Brasil, vítimas da Covid-19. Nesse dia, o número de óbitos no país superou os causados pela gripe espanhola, que matou milhões de pessoas em todo o mundo. Há exatamente cem anos, entre 1918 e 1920 foram 35 mil mortos de gripe espanhola no Brasil.

Pandemia no Brasil: é hora de reabrir a economia?

Imagem: Pxhere

Naquela época fomos atingidos de forma periférica pela gripe, mas em 2020 estamos no epicentro da pandemia de coronavírus, com 645.771 casos (até 05/06/2020). O Brasil está apenas atrás do número de casos dos Estados Unidos (1.890.592, segundo a Universidade Johns Hopkins). Os americanos (108.920) e o Reino Unido (40.344) estavam à frente em número de mortes, mas se considerarmos que as estatísticas da doença no Brasil têm um alto índice de subnotificação, essa posição no ranking pode ter sido superada. 

O atual presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) minimiza a doença. Em 1918 o responsável pela saúde pública no país, o sanitarista Carlos Seidl, também afirmava que a gripe espanhola era “só mais um resfriado”. A negação e a indicação de remédios milagrosos se repetem com impressionante semelhança.

Pesquisadores têm feito previsões de um futuro cenário brasileiro grave, com um crescimento geométrico do número de casos e uma conjuntura em que faltam políticas públicas e lideranças responsáveis para deter a disseminação do vírus. O Instituto de Métrica da Universidade de Washington publicou um modelo de análise estatística que costuma subsidiar as decisões do governo norte-americano.

Esse modelo aponta que o Brasil pode chegar a 125.000 mortes até agosto. Nos Estados Unidos, a curva da doença já iniciou um achatamento, depois de ter alcançado os 100 mil mortos, tendência contrária à registrada no Brasil. 

Covid-19 no Brasil

Imagem: Pxhere

As previsões da Universidade de Washington indicam que o pico de óbitos no Brasil ainda não aconteceu. Isso poderá ocorrer em meados de julho, com cerca de 1.500 mortes por dia. A partir de agosto, a estatística de mortes poderá diminuir, com cerca de 1.400 óbitos a cada dia.

O diretor do Instituto, Christopher Murray, declarou que o Brasil deveria seguir a orientação do que foi feito na China, assim como na Itália, Espanha e Nova York, impondo medidas para o controle de uma epidemia e assim reduzir a transmissão do coronavírus. Esses locais apelaram para quarentenas mais drásticas do que as adotadas no Brasil, inclusive com “lockdown”, isto é, quando as pessoas só podem sair de casa para ir ao mercado e à farmácia. 

Entretanto, essas medidas não foram adotadas pelo governo federal e apenas foram adotadas de forma fragmentada por alguns governadores e prefeitos. Em São Paulo, o principal epicentro da pandemia no país, o governador João Doria (PSDB) descartou a adoção do “lockdown” alegando falta de efetivo policial suficiente para garantir a fiscalização da medida.

Pandemia: é hora de reabrir a economia?

Imagem: Pxhere

Outra instituição também prevê um cenário dramático para o Brasil para os próximos meses é o International Longevity Centre, na voz de seu presidente Alexandre Kalache, profissional que já integrou a Organização Mundial de Saúde, declarou ao Financial Times que o epicentro mundial da pandemia está claramente se deslocando para o Brasil.

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Permanecendo a tendência atual se o país não adotar sérias medidas restritivas alcançará 120.000 mortes e ultrapassará os Estados Unidos.

Reabertura das atividades econômicas

Sem testes de Covid-19 para a maioria da população, ao menos 17 estados estão discutindo ou implementando processos de retomada da economia no país a partir de junho. Sem apoio do governo federal, existe dificuldade de processamento dos dados sobre a doença, que pudesse oferecer segurança para essas medidas, conforme recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O protocolo nacional prevê testes apenas para quem está hospitalizado, e não para a população em geral. Os resultados mostram, portanto, quem já adoeceu, fornecendo dados das consequências da pandemia, mas não servem para o controle efetivo da Covid-19, que somente pode ser feito com o uso de testagem em massa, segundo recomenda a OMS.

Sem testes e minimizando o distanciamento social, que era a única medida adotada, o que pode acontecer é uma catástrofe nacional, segundo observam os especialistas. A infectologista da Unicamp Raquel Stucchi informou que para se pensar em flexibilizar a quarentena, é preciso considerar não somente a quantidade de casos da doença, mas a disponibilidade do número de leitos UTI e de enfermaria em cada localidade. 

Pandemia coronavírus

Imagem: Pxhere

A cidade de SP inicia reabertura com critérios questionáveis

Mesmo com a expansão da Covid-19, foi iniciada a flexibilização da quarentena na capital do estado de São Paulo. Um grupo de 40 especialistas afirmou que plano de retomada está adotando “indicadores inadequados”, que permitem um relaxamento da quarentena sem que a epidemia esteja em fase decrescente.

Depois de 100 dias da confirmação do primeiro caso de coronavírus, a capital paulista foi autorizada pelo Plano São Paulo, do governo estadual, a iniciar em 1° junho a retomada de cinco setores da economia.

A reabertura na cidade deve ocorrer após os protocolos de segurança das atividades serem aprovados pela Prefeitura. Concessionárias de automóveis e escritórios tiveram planos aprovados e foram autorizados a iniciar a retomada das atividades. Entretanto, a média de casos confirmados continuou aumentando na capital, ainda que com crescimento mais lento.

O Plano São Paulo, que propõe regras para a flexibilização da quarentena no estado, divide o estado em regiões, as quais são classificadas em fases por cor, segundo critérios definidos pela secretaria estadual da Saúde e pelo Comitê de Contingência para Coronavírus. A cidade de São Paulo foi classificada na cor laranja (controle).

Fase 1, vermelha: alerta máximo

Fase 2, laranja: controle 

Fase 3, amarela: flexibilização

Fase 4, verde: abertura parcial

Fase 5, azul: normal controlado

Segundo o governo, os critérios utilizados para definir cada fase são:

  • média da taxa de ocupação de leitos de tratamento intensivo para Covid-19;
  • número de leitos UTI Covid-19 por 100 mil habitantes;
  • taxas de acréscimo ou decréscimo de casos confirmados, 
  • internações e mortes pela doença na comparação com a semana anterior.
Pandemia coronavírus

Imagem: Pxhere

Ainda de acordo com o governo estadual, as regiões são avaliadas a cada 7 dias e podem mudar de fase depois de 15 dias. Embora as regras definam quais regiões podem começar as liberações de setores da economia, os prefeitos é que devem decidir como será feita a reabertura.

Críticas aos critérios para reabertura

O professor de física da USP – Universidade de São Paulo, José Fernando Diniz Chubaci acredita que o governo poderia esperar mais para implementar a reabertura. O professor analisa os dados do estado de São Paulo desde o início da pandemia e afirma que apesar de estar em expansão, a evolução do vírus está ocorrendo muito lentamente.

Os novos casos e mortes estão respeitando uma teoria de que esse seria não um pico, mas um platô. Para liberar a reabertura seria preciso mais tempo de estabilidade para analisar. 

Pressão no sistema de saúde

Dados da própria prefeitura mostram que sem um aumento no número de novos leitos, o sistema de saúde da capital estaria extremamente pressionado. Médicos e profissionais de saúde que trabalham na linha de frente de combate ao coronavírus acreditam que é cedo para flexibilizar a quarentena na capital, mostrando que o sistema de saúde só não entrou em colapso porque foram abertos novos leitos. Entretanto, a dificuldade para conseguir respiradores pode dificultar a abertura de novos leitos no ritmo atual. No Hospital São Paulo, por exemplo, o número de leitos de UTI já é mais de duas vezes maior do que no início da epidemia.

Para o chefe da UTI do hospital Emílio Ribas, Jaques Sztajnbok, não basta apenas aumentar a capacidade de leitos de UTI, mas é preciso preparar o sistema de saúde para uma eventual sobrecarga de pacientes com problemas crônicos decorrentes da Covid-19.

Um aumento nos leitos não impede que as pessoas fiquem doentes e muitos dos pacientes, apesar do tratamento hospitalar, ficam com sequelas da Covid-19.

Regina Di Ciommo

Mestre e Doutora em Sociologia pela UNESP, pesquisadora na área de Ecologia Humana e Antropologia, Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental, foi professora em cursos superiores de Sociologia e Direito, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

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