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A perda da audição pode afetar a saúde mental

Estudos demonstram que as pessoas com perda auditiva relacionada à idade têm mais probabilidade de ter um comprometimento das funções cerebrais ou demência. 

A perda auditiva é um possível fator de risco para demência. Adultos mais velhos que desenvolvem perda auditiva têm maior probabilidade de experimentar maior declínio cognitivo e desenvolver demência do que seus colegas sem problemas auditivos, de acordo com uma pesquisa publicada em dezembro de 2017, pelo periódico JAMA (Journal of American Medicine Association), especializado em Otorrinolaringologia (Cirurgia de Cabeça e Pescoço).

Os pesquisadores examinaram dados de 36 estudos, incluindo mais de 20.000 pessoas, que foram submetidas a avaliações cognitivas e testes auditivos. Aqueles com perda auditiva relacionada à idade eram mais propensos a ter comprometimento cognitivo ou diagnóstico de demência.

A perda da audição pode afetar a saúde mental

Imagem: Pxhere

O estudo encontrou uma associação estatisticamente significativa, entre perda auditiva e uma variedade de habilidades cognitivas específicas, incluindo função executiva, memória, velocidade de processamento e capacidade visual espacial (como você reconhece formas e tamanhos e estima a distância entre dois objetos). A associação entre perda auditiva e habilidades cognitivas ainda era forte, mesmo após considerar fatores de risco como pressão alta e tabagismo.

Ainda não se sabe como a perda auditiva pode estar relacionada ao declínio cognitivo e à demência. Os pesquisadores especularam que essas habilidades podem compartilhar um caminho neural comum.

Por exemplo, a perda auditiva pode exigir um aumento da energia mental para perceber a fala, o que deixa menos recursos mentais disponíveis para outros processos cognitivos, como a memória. Também pode haver um link indireto. Por exemplo, a perda auditiva pode levar a um maior isolamento social, o que pode aumentar o risco de problemas cognitivos.

A perda auditiva pode afetar a saúde do cérebro

A audição é um sentido complexo que nos fornece a consciência dos sons ambientais e, mais importante, a capacidade de se comunicar. O ouvido é o órgão responsável pela percepção do som e o cérebro é responsável pelo processamento do som. É necessário que ambos os órgãos funcionem corretamente para que a audição ocorra.

A perda da audição pode afetar a saúde mental

Imagem: Pxhere

A ligação entre perda auditiva e cognição não é totalmente compreendida

Nos últimos anos, houve uma extensa pesquisa examinando como a perda auditiva relacionada à idade e a função cerebral (cognição) estão associadas. Existem alguns conceitos gerais que podem contribuir para a associação entre perda auditiva e cognição.

Uma teoria é que a perda auditiva leva a uma entrada menor no cérebro; portanto, ocorre menos processamento, o que contribui para o declínio cognitivo. Essa é chamada de abordagem “de baixo para cima”.

Outra teoria é que os déficits cognitivos iniciais podem afetar a capacidade de uma pessoa processar sons e, assim, contribuir para a perda auditiva, o que é chamada de abordagem “de cima para baixo”. Independentemente de qual teoria estiver correta, é claro que a associação entre audição e cognição é muito real. A associação enfatiza a necessidade de melhorar a abordagem para testar e tratar a perda auditiva.

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Como é medida a perda auditiva e o que é considerado um déficit?

A maioria dos fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas define audição normal como alguém capaz de ouvir qualquer nível acima de 25 decibéis. Esse valor é um tanto livremente estipulado e muito baseado na faixa média abaixo da qual a maioria das pessoas em uma população experimenta problemas auditivos. 

A maioria dos clínicos que gerencia pacientes com perda auditiva admite que os testes auditivos convencionais são imperfeitos, apesar das informações importantes que eles fornecem. As imperfeições nos testes auditivos convencionais devem-se ao fato de ser uma medida simples que tenta quantificar um processo complexo.

Por exemplo, os testes auditivos apresentam tons e palavras simples, mas a audição em situações da vida real envolve sentenças, fala e linguagem, o que é muito mais complicado de ouvir e exigiria testes mais complicados para avaliar.

Perder audição afeta a saúde mental

Imagem: Pxhere

Pesquisadores e clínicos especializados em perda auditiva consideraram que o padrão atual de audição normal pode ser muito variado. Além disso, a pesquisa sugere que pode haver um papel para novas definições de audição normal, já que pessoas que apresentam sintomas de perda auditiva são consideradas como tendo audição normal pelos padrões atuais. Essas pessoas podem ser consideradas como tendo “perda auditiva limítrofe” ou “perda auditiva subclínica”.

Novas pesquisas destacam a necessidade de melhorar a abordagem para a perda auditiva subclínica. Um artigo recente na JAMA Otorrinolaringologia destaca essa necessidade. Neste artigo, os pesquisadores revisaram dois grandes bancos de dados populacionais de 6.451 pessoas que tiveram testes auditivos e cognitivos.

A pesquisa mostrou que aqueles com 50 anos ou mais tinham escores cognitivos que aparentemente declinavam antes mesmo de atingirem a perda auditiva definida clinicamente (perda auditiva subclínica). A pesquisa também observou que a associação entre audição e cognição é mais forte entre os indivíduos com audição normal em comparação com aqueles com perda auditiva.

Por exemplo, na população analisada, os escores de cognição caíram na população com audição normal mais rapidamente do que na população com perda auditiva. Esse resultado é um tanto contraditório e sugere que talvez o que atualmente definimos como audição normal possa de fato incluir algumas pessoas com déficit auditivo. Ele também desafia o que os médicos aceitaram como classificações padrão para perda auditiva em testes auditivos.

A perda auditiva pode afetar a saúde do cérebro

Imagem: Pxhere

O que isso significa se você está preocupado com a perda auditiva?

Primeiro, vale esclarecer que a nova pesquisa não sugere de forma alguma que a perda auditiva leve ao declínio cognitivo. Só porque essas coisas estão associadas, não significa que elas estejam relacionadas como causa e efeito.

A seguir, o que essas descobertas deixam claro é que é importante ter a audição testada se você notar problemas com a audição, como problemas auditivos em ambientes sociais, exigir rádio ou televisão em volumes mais altos ou exigir que as pessoas se repitam constantemente.

As funções coordenadas do ouvido e do cérebro colocam uma nova prioridade no tratamento da perda auditiva. Não ignore os sintomas da perda auditiva, porque você não quer perder a oportunidade de resolver os déficits auditivos.

Além disso, não hesite em perguntar ao seu médico detalhes específicos sobre seus resultados auditivos. Muitas vezes, os pacientes podem ter medo de pedir detalhes sobre seus resultados, porque não querem admitir que não entendem o resultado.

É importante levantar questões sobre sua audição, mesmo que seu teste auditivo seja normal. Ao cuidar da sua audição, você está abordando um problema óbvio (perda auditiva) com consequências não tão óbvias (cognição).

Infelizmente, o uso de aparelhos auditivos é pouco frequente, apesar da alta incidência de perda auditiva. Pergunte ao seu médico sobre as opções para reabilitar sua audição com aparelhos auditivos. Dependendo do tipo de perda auditiva que você possui, outras opções também podem estar disponíveis, como procedimentos para melhorar a audição.

Regina Di Ciommo

Mestre e Doutora em Sociologia pela UNESP, pesquisadora na área de Ecologia Humana e Antropologia, Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental, foi professora em cursos superiores de Sociologia e Direito, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

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