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Esperança para o tratamento do crack – a ibogaína

A epidemia de crack no Brasil atinge dois milhões de pessoas. No país é consumido 20% da produção mundial do crack, o que faz do Brasil o líder mundial do consumo. Mas há novidades no tratamento.  

No Brasil, formaram-se lugares onde usuários dependentes consomem a droga dia e noite, o que deu origem ao nome cracolândia. Somente a cidade de São Paulo tem oito cracolândias. O impacto do crack no organismo é devastador. Seus usuários chegam a ser comparados com zumbis, tão grande é a perda de consciência e autocontrole a que chegam.

Esperança para o tratamento do crack – a ibogaína

 

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Com grande velocidade e potência, os componentes do crack chegam ao cérebro, alterando completamente suas funções. Segundo o professor da Unifesp Constantino Miguel, responsável pelas pesquisas para o tratamento da dependência do crack na instituição, o dependente de crack fica mais impulsivo, irritável e com oscilações de humor, com a tendência de ficar cada vez mais explosivo, principalmente quando questionado pela família ou amigos acerca do vício.

Segundo os estudos e observações sobre o crack já demonstraram, a necessidade de consumir a droga e não a ter disponível deixa a pessoa agressiva e estressada. O consumo da substância passa a ser o único caminho para que ela se sinta motivada.

O professor Ivan Mario Braun, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que um dos piores efeitos nocivos do crack no organismo, entre muitos outros, é o chamado “pulmão de crack”. O problema é caracterizado pela corrosão das vias respiratórias e comprometimento do tecido pulmonar, o que causa falta de oxigênio no sangue, febre e insuficiência respiratória.

Principal cracolândia no centro 

Imagem: Principal cracolândia no centro

 

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Quem experimenta o crack fica dependente rapidamente, em virtude da velocidade com que a droga chega ao cérebro. Segundo o psiquiatra, em 20 a 60 segundos depois do consumo acontece o pico do efeito, que dura de dois a cinco minutos. A absorção pela inalação e aspiração da fumaça é a mais rápida que existe, tornando a dependência gravíssima e o consumo compulsivo.

A ação do crack é muito rápida, o seu efeito é de tornar a pessoa ligada e elétrica. Mas assim que o efeito passa, o usuário fica apático, num efeito totalmente oposto à euforia da droga. O consumidor busca fumar muitas pedras durante o dia, porque não aguenta ficar sem o seu efeito ou em abstinência.

Segundo a especialista Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Drogas, toda pessoa que experimenta o crack, em seguida, apresenta um quadro de depressão. Isso porque a droga altera os principais hormônios do cérebro, a dopamina e noradrenalina, responsáveis por regular o humor e a frequência cardíaca. Alterada a química cerebral, através da liberação total desses hormônios, o que acontece em seguida é que o cérebro entra em depressão.

As drogas estimulantes tem padrões de efeito diferente, como a cocaína, anfetamina, crack e metanfetamina. Mas todas elas hipersensibilizam o cérebro de forma intensa, que em algumas pessoas promovem a dependência de maneira rápida. A psicose cocaínica é uma das consequências seguintes, quando a pessoa tem delírios, se vê perseguida, em um alto grau de intoxicação da droga.

Perda do apetite e desnutrição

Perda do apetite e desnutrição

 

Perda do apetite e desnutrição

O crack leva à perda de apetite, provocando a desnutrição e perda de peso. A droga altera a região do cérebro responsável pela sensação de fome, o que leva o usuário a parar de comer. O centro do apetite se torna bloqueado e não existe mais fome. Da mesma forma, acontece a perda do sono.

O crack age sobre o encéfalo, que regula o mecanismo de vigília e alerta e a motivação. Esse sistema é super estimulado, o que leva à euforia passageira e à redução do sono. Toda motivação da pessoa fica centrada em encontrar e usar a droga. Outra consequência da droga no organismo é a perda de apetite sexual e impotência nos homens. Toda excitação é focada na droga.

O papel da família

O observado entre os usuários de crack é que tendem a transformar outros usuários em sua família, abandonando a família de origem e os amigos. Depois que o uso da droga se torna uma compulsão incontrolável, o indivíduo passa a necessitar de dinheiro, para sobreviver e comprar a droga. Não existindo outros meios, passa a roubar objetos dos familiares, agravando seus conflitos com a família. Nesse estágio, a pessoa deixa de lado seus vínculos afetivos e é incapaz de demonstrações de afeto ou empatia. Geralmente as pessoas que o querem bem fazem esforços para que deixe a droga, o que exerce efeito contrário, porque sua escolha acaba por ser o vício.

Para o sucesso de um tratamento, a participação da família é fundamental, aumentando as chances de sucesso. Existe a possibilidade de que o usuário distinga onde está e onde gostaria de estar, o que o ajuda a ter uma postura em direção à cura. A ajuda profissional é importante para que a família saiba como lidar com o usuário, mas este tem que aceitar o tratamento e decidir sair da droga. Quanto antes a família decidir intervir, aos primeiros sinais da dependência, mais chances haverá para o tratamento.

Ibogaína

Imagem: Ibogaína.

Novos tratamentos são promissores – a ibogaína

O tratamento atualmente oferecido para os usuários de crack que querem se libertar do vício costuma durar em média 9 meses. Entretanto, há um alto índice de recaída, sendo que 70% voltam a usar crack.

Alguns pesquisadores brasileiros estão estudando uma nova opção para o tratamento da dependência química dessa droga. É a substância ibogaína, presente na planta iboga, originária do oeste africano, cujo fruto é em formato de balão amarelo vivo.

A ibogaína tem se mostrado promissora. Estudos apontam que o tratamento com a substância encurta o período de tratamento para cerca de um mês e o paciente deixa de sentir a vontade de usar o crack novamente. A substância demonstrou em pesquisas que consegue livrar das drogas até 80% dos pacientes.

A ibogaína e outras substâncias psicoativas, vem sendo estudada pela Medicina Psicodélica, que visa estabelecer um tratamento para a dependência química.

Ibogaína.

Imagem: Ibogaína.

Três estudos já foram concluídos até o momento, com resultados positivos, sendo que um laboratório já se prepara para pedir o registro da ibogaína. Entretanto, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que controla a produção de medicamentos no país, permite a importação da ibogaína apenas para a pesquisa clínica.

O médico Bruno Rasmussen deu declarações à imprensa sobre a pesquisa e o tratamento com a ibogaína. Segundo ele, o estudo científico mais importante começou em 2012, realizado por uma equipe composta por psiquiatra, neurocientista, psicóloga e médico clínico. O trabalho foi publicado em 2014, no Journal of Psychopharmacology.

Nessa pesquisa, pacientes tomaram ibogaína para a dependência química, no período de 2005 a 2013. O grupo foi acompanhado e demonstrou um resultado de 62% de abstinência após o tratamento. A ibogaína mostrou ser efetiva e segura, aplicada em ambiente hospitalar, dentro dos padrões clínicos, com acompanhamento psicológico, psiquiátrico e médico e não foram observados efeitos adversos importantes.

Outro trabalho foi realizado pelos psiquiatras F. Tofoli, da Unicamp e J. F. Alexandre, da UFABC e foi publicado em abril de 2017, no Journal of Psychedelic Studies. Os resultados mostraram melhora na qualidade de vida, com o uso da ibogaína e os episódios de recaída foram curtos e menos profundos.

A ibogaína também está sendo estudada em pesquisa com pessoas com transtorno de estresse pós-traumático, em colaboração com pesquisadores dos Estados Unidos.

Os resultados com ibogaína são excelentes, superiores a qualquer outra alternativa atual. Os pacientes, em sua maioria, reagem em pouco tempo, tomando apenas uma única dose, aplicada em uma internação hospitalar de apenas 24 horas.

A ibogaína não é utilizada in natura, porque a planta depende de variáveis como solo, clima, etc.. A forma de utilização é a ibogaína HCL, que é a substância purificada. Apesar de ainda não ser registrada pela Anvisa, pode ser importada pelo paciente, para uso pessoal, segundo a resolução 28/2011, da Anvisa.

A ibogaína age nas células cerebrais gliais, como um fator de crescimento neuronal, que promove o aumento dos neurônios, com um efeito de reequilíbrio da dopamina e serotonina, trazendo uma sensação de bem-estar que diminui a necessidade da droga. O paciente, sob efeito da ibogaína, passa por uma experiência de expansão da consciência, que o faz reavaliar atitudes e sentimentos, chegando a pistas e insights para a solução de seus problemas.

É importante, no entanto, que a substância seja uma facilitadora da psicoterapia, uma ferramenta que aumenta a chance de uma vida normal, mas necessita de acompanhamento com psicoterapeuta, além de médico clínico adequado.

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