Planos de saúde e a situação de dificuldade financeira
A crise econômica está levando a alterações na utilização dos planos de saúde, com diminuição do número de usuários, que estão migrando para o SUS
Em várias regiões do país, a crise econômica e o aumento do desemprego estão reduzindo o número de usuários dos planos de saúde. O resultado é que começam a ser sobrecarregados os atendimentos nos postos de saúde e nos hospitais que atendem pelo SUS.
As dificuldades econômicas também foram sentidas no setor da Educação, onde as vagas nas creches públicas e nas escolas de 1º. e 2º. Grau estão sendo mais disputadas, com a procura de quem antes tinha os filhos nas escolas e nas creches particulares.
Segundo a FenaSaude – Federação Nacional de Saúde Suplementar, que representa as operadoras de planos de saúde privados, a redução no número de beneficiários das operadoras de saúde mostra a situação da economia atual, com aumento do desemprego. Em momentos de crise financeira, até mesmo as despesas com saúde e educação são cortadas pelas famílias, mesmo as de classe média.
Com a redução do valor médio dos salários, as mensalidades dos planos de saúde, que são anualmente reajustadas, pesam no orçamento. Na verdade, o valor de um plano de saúde está acima da capacidade aquisitiva de uma grande maioria da população, em um quadro de recessão econômica.

Regiões metropolitanas – a migração dos clientes para a rede pública
Em Campinas, grande cidade do interior paulista, já são sentidos os efeitos da crise com o aumento na procura por hospitais públicos, como o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Além de atender a população local, o hospital também atende a cidades vizinhas. A administração da instituição já nota o aumento da demanda, que recai sobre o orçamento da Prefeitura.
O que acontece é que quem tinha um plano de saúde passou a procurar a rede pública, o que é um direito da população.
Na cidade vizinha de Sumaré, o aumento da procura também já foi notado. Em Sumaré também são atendidos pacientes de Hortolândia e Monte Mor. Até mesmo casos que não são urgentes estão sendo recusados, depois do aumento do fluxo de usuários. Os pacientes que antes tinham convênios médicos estão procurando o Hospital Estadual de Sumaré, o que está levando a uma reorganização do serviço médico e à limitação no atendimento.
Planos empresariais cresceram com a redução dos planos individuais
Enquanto os planos individuais de convênios médicos registram redução no número de beneficiários, os planos coletivos empresariais registraram aumento.
Segundo a ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar, esses planos cresceram 0,5% de dezembro de 2014 a março de 2015. O que acontece é que grupos de famílias ou amigos se reúnem para criar um CNPJ, ou pessoa jurídica, e assim adquirirem um plano empresarial.
As pessoas jurídicas criadas por esses grupos se enquadram na categoria de pequenas empresas, o que atualmente configura-se como 80% do total de beneficiários dos planos de saúde. A criação de um CNPJ para a compra de um plano de saúde coletiva é um “jeitinho” utilizado e é um recurso legal. Segundo o próprio diretor da ANS, em entrevista à Revista Época, o recurso está dentro da lei. A a agência não analisa os CNPJ apresentados pelos vendedores dos planos, para verificar se são verídicos ou não.
Enquanto que em 2001, a proporção de quem tinha convênio médico empresarial era de 43,4% dos planos de saúde, segundo a ANS, em 12 anos os beneficiários dos planos coletivos já representam 78,7% do total.
De acordo com a FenaSaude, apenas 11 das 31 empresas associadas vendem planos individuais, atualmente. As grandes operadoras não estão comercializando os planos individuais, que na verdade têm um custo muito elevado. Recentemente, a Golden Cross vendeu sua carteira de clientes dos planos individuais e familiares, com cerca de 160 mil beneficiários, que precisaram procurar outra operadora ou entrarem em um plano coletivo.
Muitas empresas estão fazendo do plano de saúde um elemento para reter o empregado. Como as mensalidades custam caro, se a empresa não bancar o convênio o funcionário acaba por não conseguir pagar. Também quando são demitidos, os empregados deixam de pagar os planos individuais ou familiares. São os casos que passam a utilizar a rede pública, apesar das queixas sobre o longo tempo de espera para conseguir atendimento.
Impacto no sistema público de saúde
A região da Baixada Santista, no estado de São Paulo, é um exemplo do que vem acontecendo com os planos de saúde. A Baixada Santista é formada pelos municípios de Santos, São Vicente, Guarujá, Cubatão, Praia Grande e Bertioga.
Até o final de 2015, a redução no número de beneficiados na região foi de 15.462 clientes. A ANS informou que o número de usuários caiu de 726.989 para 711.527. Santos é o município que mais sofreu redução de usuários nos planos.
Segundo o ex-ministro da Saúde, Arthur Chioro, que é santista, o sistema público de saúde receberá o impacto dessa situação. A situação, segundo ele, na região é difícil.
A participação da população nos planos de saúde suplementar está diretamente relacionada com o crescimento da economia. Quando ocorre recessão, os clientes são obrigados a dar prioridade a gastos de primeira necessidade e deixam de participar dos planos. Se a economia, num futuro próximo, retomar o crescimento, é bem provável que haja uma retomada dos planos.
Na Unimed de Santos, a maior causa da diminuição de beneficiários é a demissão de trabalhadores. Segundo o seu presidente, Raimundo Macedo, as empresas estão demitindo na região e esse é o principal motivo. Apesar disso, a Unimed de Santos está mantendo suas atividades, mesmo depois de absorver cerca de mil clientes da antiga Unimed Paulistana.
A demanda por planos coletivos com pequenos grupos
Os planos coletivos menores, com até 30 beneficiários, são considerados pela ANS como mais frágeis, e a existe uma resolução para que as operadoras reajustem suas taxas apenas uma vez por ano, com um único índice.
Mas, o Idec – Instituto de Defesa do Consumidor – fez uma pesquisa que demonstra que alguns desses planos tiveram reajuste de até 40%. O Idec afirma que não há um teto para o reajuste, apesar das operadoras falarem em reajuste único.
A FenaSaúde afirma que esse tipo de plano teve expansão de 1,6% nos últimos 12 meses. A busca por planos coletivos mostra de que forma vêm tendo a preferência das empresas e dos clientes, por serem mais baratos do que os individuais.
Conteúdo revisado por Walter Tadeu de Oliveira Filho, Corretor de Seguros – Registro SUSEP: 201103878
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