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A humilhante discriminação contra as gordinhas, a Gordofobia

A discriminação a pessoas acima do peso é fruto de um preconceito que humilha a vítima. Atinge principalmente as mulheres, que denunciam um quadro de hostilidade existente no meio médico, contra as pacientes.

O mundo da moda começou a falar para mulheres gordas há alguns anos. São aquelas para quem o manequim G ou 46 já não servem, principalmente depois que todas as confecções nacionais reduziram as proporções das tradicionais numerações, quem sabe para impor um perfil mais magro e ideal ao público ou talvez para economizar matéria-prima.

A humilhante discriminação contra as gordinhas, a Gordofobia

Imagem: grandesmulheres

A moda GG ou EXG, também chamada de “plus size”, passou a atender esse nicho de mercado e a possibilitar o acesso ao vestuário e à moda, para quem está com sobrepeso ou obesidade. O que não quer dizer, no entanto, que os preconceitos contra as gordinhas acabaram. Até mesmo entre esse público, as roupas apresentadas por modelos realmente “plus size” não fazem sucesso, segundo opinião dos comerciantes de moda feminina.

Parece que o direito das gordinhas de serem respeitadas em todas as dimensões da vida social ainda não chegou realmente e, conforme relatos, até mesmo por parte dos profissionais da área da saúde.

Um debate nas redes sociais com o tema da Gordofobia Médica, promovido por Flávia Durante, mostrou que pessoas gordas têm sido rotineiramente humilhadas em consultórios médicos. A gordura, no olhar de alguns profissionais, é justificativa para todos os tipos de doença, o que prejudica um diagnóstico correto e o tratamento dos problemas de saúde. As dietas para emagrecer são indicadas de forma genérica e aleatória para sintomas que, muitas vezes, não tem qualquer relação com o peso.

 A humilhante discriminação contra as gordinhas, a Gordofobia

Imagem: vogue.globo

Existem relatos assustadores, em que o excesso de peso é apontado pelos médicos para suas pacientes como responsáveis desde vista embaçada até problemas de pele. Adjetivos pejorativos, como rinoceronte, já foram utilizados em momentos de fragilidade, como na sala de parto. Em grande parte dos relatos, os/as ginecologistas são responsáveis mais frequentes por observações constrangedoras e humilhantes a respeito do peso, mas também dermatologistas, otorrinologistas, urologistas e até oftalmologistas.

Muitos relatos de pacientes denunciam que esses médicos não pedem exames para comprovar suas deduções, que são absolutamente preconceituosas, a partir da aparência. Esse comportamento está sendo denunciado como falta de respeito, sem conceder ao paciente acima do peso um tratamento digno, com consideração, conforme está prescrito no Código de Ética Médica, artigo 23.

 A humilhante discriminação contra as gordinhas, a Gordofobia

Imagem: vida-estilo

Espalhada pelos diversos contextos de nossa sociedade, a gordofobia é a manifestação preconceituosa contra as pessoas gordas. As atitudes são características de quem pretende segregar, em situações humilhantes e degradantes, o que reforça mais ainda o estereótipo contra o gordo.

 Se a sociedade não reconhece a existência desse preconceito, assim como ainda não reconhece plenamente a existência do racismo, fica difícil superar o problema. Em muitos ambientes é considerado aceitável intimidar e censurar o gordo, dar palpites e fazer um interrogatório sobre o que está comendo, aparentar uma falsa preocupação com a saúde, quando na verdade o que acontece é uma intromissão indevida na vida de outra pessoa.

 A humilhante discriminação contra as gordinhas, a Gordofobia

Imagem: pragmatismopolitico

Os que argumentam constante preocupação com a saúde já demonstram sua gordofobia, em perguntas indiscretas sobre níveis de colesterol e existência de pressão alta, por exemplo. Esquecem que os magros, aparentemente saudáveis, são, muitas vezes, portadores de problemas de saúde invisíveis.

São poucos os movimentos sociais que demonstram preocupação com a gordofobia, entre tantos temas que são defendidos por ativistas políticos em todo o mundo. Sem dúvida, as mulheres são as que sofrem as pressões mais intensas, em consequência do padrão de beleza imposto pela sociedade. O feminismo ainda não colocou apropriadamente a gordofobia em suas pautas, com propostas para enfrentar concretamente esse preconceito. Feministas gordas, além de enfrentar o preconceito na sociedade, precisam resistir também entre militância.

Existem denúncias de que existe gordofobia entre mulheres do movimento feminista. Segundo algumas ativistas, um dos motivos é a falta de um debate mais profundo sobre o tema, o que sempre dificulta a transformação da sociedade. A contradição para a discussão está em um princípio que é caro para as feministas, que é a aceitação e valorização do próprio corpo. É importante que cada mulher ame seu corpo e sua forma particular de beleza, mas além da aceitação é essencial que sua dignidade seja respeitada, combatendo a hostilidade da sociedade.

 A humilhante discriminação contra as gordinhas, a Gordofobia

Imagem: revistaglamour

Existem questionamentos que precisam ser encampados pelo movimento feminista, como a questão das mulheres gordas no transporte público, como fator de desemprego, como justificativa para segregação, como explicação para vulnerabilidades econômicas e sociais, para o bullying e nos motivos da violência sexual e doméstica.

Há muitos motivos para um sofrimento particular entre as mulheres gordas, um deles é a comparação ou comentários feitos por mulheres magras que se acham gordas. São aquelas que comentam com a amiga gordinha o quanto estão acima do peso e se esforçando na academia e na dieta para emagrecer. Esse é um bullying disfarçado, uma cobrança para se encaixar em um padrão de beleza.

Muitas pessoas têm problemas de aceitação com o seu corpo, mas é um sofrimento a mais ser julgada incompetente por um médico, quando se entre em um consultório e qualquer doença é atribuída a seu peso. Os sintomas de enxaqueca, por exemplo, costumam ser atribuídos ao excesso de peso, tratados com dieta imediatamente, sem que se faça um diagnóstico correto, segundo depoimentos mencionados no meio feminista. São problemas que as mulheres magras não enfrentam.

 A humilhante discriminação contra as gordinhas, a Gordofobia

Imagem: institutodeobesidade

Mesmo depois da cirurgia bariátrica

Segundo participantes do movimento feminista, integrantes também de grupos de apoio a mulheres que fazem cirurgia bariátrica, existe também um preconceito sexista, que está em um discurso sobre as que já fizeram o procedimento cirúrgico, afirmando que elas são como borboletas que saíram do casulo, ou seja, eram mulheres magras por dentro, que estavam aprisionadas em corpos gordos, o que demonstra a abordagem gordofóbica. Existem comentários que continuam a mencionar o padrão de beleza, como “está sobrando pele”, “não se nota que você está emagrecendo”, “eu não estou gostando de você magra agora”, “conheço quem fez e engordou novamente, não adianta operar…”, “cirurgia é fácil, quero ver fechar a boca e malhar”.

A mulher é culpabilizada e sua escolha pela cirurgia é deslegitimada, como uma outra forma de opressão. Como se estivesse contrariando uma aceitação obrigatória do corpo, sem considerar as formas que a mulher busca para se sentir feliz. O motivo estético pode ser apenas um dos motivos para a cirurgia bariátrica, há outros motivos, como o desejo de viver com os privilégios que as pessoas magras possuem.

As opiniões e palpites sobre a cirurgia bariátrica invadem a privacidade da mulher, gera constrangimentos através de comentários grosseiros e propaga a ideia de que no excesso de peso não há beleza e saúde e mesmo depois da cirurgia, compara o corpo com o das pessoas magras.

São formas de opressão que impõem um padrão de beleza, contaminado pelo machismo. Para mudar essa realidade é preciso um trabalho constante que acabe com esses hábitos, demonstrando que o corpo da mulher, seja gordo ou magro, não é propriedade pública e que o fato de se estar acima do peso não justifica forma alguma de discriminação.

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